Mónica Faria
Escultora. Educadora.

aBRAÇAr Na Trança da Palha.
"aBRAÇAr Na Trança da Palha" percorre os caminhos que hoje se desenham no reencontro com o território e a paisagem de Fafe. A este percurso juntamo-nos, abraçados pelas artesãs e pelos que, afoitos, se comprometem em preservar estes passados, para se reinventarem futuros ocupando novas avenidas do saber.
No Museu de Golães, onde nos encontramos para celebrar resistências, podemos ler: "Oupa!" Acordar, cortar o jejum, e entrançar duas horitas antes de correr à escola, sacola ao través, lousa lá dentro, tabuada poída, aprender as letras e as contas da vida.Voltar a casa, brincar a espaços, estoquiar a trança dos grandes, entrançar para ajudar, entrançar a brincar.Homens às leiras (...) moças às casas (...) serões de todos".

De três braças se apresenta esta exposição: "Mergulhar nos processos de uma arte vernacular, aprender práticas que se desvanecem, reavivar tradições, criar relações. Percorro campos de centeio, observando as espigas a dançar com o vento e escutando as suas conversas. Sinto o aroma da ferrã acabada de cortar, cheira a primavera. Toco nas matérias e vejo como afetam o meu corpo e como os meus gestos as modificam. Reagimos mutuamente, tecendo encontros e nós nesta rede de ligações que me conecta ao mundo. Aprendo coreografias ancestrais, entre tentativa e erro, e guiada por mestres entrançamos corpos.Trabalhar a palha permite unir memórias, abraçar novas pessoas e outras ideias, em pequenos gestos repetitivos e pacientes. A palha, delicada e frágil, reserva uma resistência e plasticidade surpreendentes: metáfora da força e vulnerabilidade humanas. É luz, terra, comunidade."
O que aqui propomos é um olhar para os fazeres, os convívios, os falares que a palha permite entre entrelaçados gostaríamos de nos metamorfosear a Braços com a comunidade, vindos dela e para ela.

